Irrompeste em riso quando te lancei aquele olhar penetrante, o Nº11. Entrei-te na alma, toquei no teu ser mais íntimo, sentiste-te invadida mas com agrado, e em vez de um suspiro de prazer, soltaste um riso. O teu marido nada disse, mas pensou, "ah, que engraçado, tão cumplices que eles são, devem ser mesmo amigos".
Amigos nas horas vagas. Apenas amigos, à distância. Porque quando estamos juntos, mesmo no silêncio, somos amantes. Mesmo. Quando ouço Lenny, quando me lembro do teu cabelo, do teu olhar, dos teus dedos finos nos meus, sou teu amante.
- Este ano ainda não fizémos nenhuma asneira, pois não? - tentei confirmar.
- Não quiseste. Gostei mesmo de te ver.
- Estás linda e genuina como sempre. - já sou eu a pôr água na fervura.
- Andamos certinhos.
- Infelizmente, sim. - já aqueci outra vez, caraças.
- Achas?
- Que nos deviamos portar mal? Sim, uma vez por ano. Religiosamente.
- Oh... Queres fazer um test drive?
- Vamos. Qual é a viatura mesmo?
- És irrecusável. Tenho saudade dos sabor dos teus lábios. A viatura sou eu.